Quarta-feira, Dezembro 19, 2007

Vai cantar que você ganha mais

Eu não ia falar nada. É época de festas, diz a minha voz interior que às vezes acredita na humanidade e tentava me impedir. Ninguém quer se preocupar com isso agora. Tá, respondi.

Mas não deu.

Folha: "O músico Paul McCartney pediu à população mundial que se converta ao vegetarianismo para salvar o planeta dos efeitos da mudança climática."

Claro. Se não conseguem nem fixar metas para um grupo de países cortar o uso de combustíveis fósseis, por que não convencer um mundo em que milhões morrem de fome a deixar de comer carne, não é?

Plantar grãos que substituem, a custo altíssimo, a proteína essencial provocando o desmatamento de áreas de reserva não é viável agora. Primeiro tem que se desenvolver variedades mais resistentes, mais nutritivas e que produzam mais em áreas menores. Depois tem que negociar o subsídio pra produção, investir em logística e transporte, silos para armazenagem e centros de distribuição.

Do jeito que a coisa é hoje em dia, grãos que precisarão ser transportados em caminhões e navios poluentes são vendidos a peso de ouro por causa da política de subsídio agrícola dos mesmos países que não concordam com as metas de emissão de carbono.

A intenção de Sir Paul e outros pode ser até boa, mas a mim soa como alguém que está confortavelmente sentado no sofá de sua mansão aquecida com combustível mineral ou fóssil na hora do chá, entre uma refeição e outra. Ou, relembrando Melville:

"Of all the preposterous assumptions of humanity, nothing exceeds the criticisms made of the habits of the poor by the well-housed, well-warmed, and well-fed." Herman Melville.

De todas as absurdas suposições da humanidade, nada excede as críticas feitas aos hábitos dos pobres feitas pelos que têm boa moradia, estão bem aquecidos e bem alimentados.

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Sexta-feira, Novembro 30, 2007

Beds are burning

No jornal de ontem vejo, depois de sei lá quantos anos, o músico australiano Peter Garrett. Eu era fã da banda Midnight Oil nos anos 80: os caras criticavam as grandes empresas e múltis que poluíam o ambiente numa época em que nem se sonhava com o aquecimento global. O rock era de crítica social, mas sem soar chato ou pedante [ou, pior ainda, tratando o ouvinte como uma criança de 3 anos]. Bons tempos...

Apois, voltando à vaca fria, Kevin Rudd anunciou que Garrett será o novo Ministro do Meio Ambiente de seu governo. Tem a ver!

No intervalo, vi uma [boa] propaganda do governo panamenho incentivando o turismo, protagonizado pelo Rubén Blades. Tudo ia bem até que li no rodapé: Ministro de Turismo do Panamá. Nada mal! O cara *é* consciente do que pode fazer pelo seu povo [tanto que chegou a concluir a faculdade de Direito e foi candidato a presidente] e ter um dos maiores compositores e cantores de salsa é um ótimo chamariz pro turismo de um país. Nada de relaxar e gozar, tem que trabalhar mesmo.

E ambos estão na Ouvateca2, seleção novembrina.

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Segunda-feira, Outubro 15, 2007

Guerra das sacolas

A Cidade: "O mercadinho do Ipiranga contribui com a estupenda montanha plástica consumida pela humanidade diariamente. Calcula-se que o mercado mundial vomite um milhão de sacolinhas por minuto. Isso quer dizer que, ao terminar de ler este texto, a montanha terá aumentado em quase cinco milhões de sacolinhas. Por ano, são 500 bilhões delas."

Estadão: "Atitudes sustentáveis não contam positivamente só para a imagem da empresa. São também uma interessante fonte de lucro e bom negócio."

Gazeta do Cambuí: "A exemplo do que já acontece nos Estados Unidos e Europa, a preocupação com a destinação das sacolas plásticas atingiu em cheio a consumidora brasileira empenhada em mudar os hábitos e evitar o desperdício. As bolsas ecológicas, também conhecidas como shopping bags, estão virando febre entre as mulheres."

Gazeta Mercantil: "A próxima vez que você sair de casa para fazer compras leve, por favor, uma bolsa reutilizável para embalar seus produtos. É essa atitude que está sendo incentivada em várias partes do mundo em relação ao uso de sacolas plásticas no varejo."

Consumidor Moderno: "Com o objetivo de estimular o consumo consciente e oferecer alternativas de embalagens ecológicas, a rede Pão de Açúcar oferece modelos diferentes de sacolas retornáveis. São cinco estampas inspiradas na fauna brasileira - tucano, mico-leão-dourado, onça-pintada, arara azul e lobo-guará."

ComuniWeb: "Sabe aquela história antiga das sacolas de compras? Cada comprinha feita gera o consumo de mais algumas sacolinhas de papel ou plástico, que têm vida útil muito curta, apenas o intervalo de tempo em que servem para levar as mercadorias adquiridas até o primeiro destino."

A Tribuna: "A Vitalis Farmácia de Manipulação começa a disponibilizar aos seus clientes sacolas de pano retornáveis que vão permitir a redução do número de sacolas plásticas distribuídas diariamente na loja. A empresa é uma das primeiras a disponibilizar este tipo de embalagem em Criciúma."

Contribuição de Titia Batata para o Blog Action Day.

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Sábado, Agosto 04, 2007

Sacos plásticos

EcoPop: "O Brasil é definitivamente o paraíso dos sacos plásticos. Todos os supermercados, farmácias e boa parte do comércio varejista embalam em saquinhos tudo o que passa pela caixa registradora. Não importa o tamanho do produto que se tenha à mão, aguarde a sua vez porque ele será embalado num saquinho plástico. O pior é que isso já foi incorporado na nossa rotina como algo normal, como se o destino de cada produto comprado fosse mesmo um saco plástico. Nossa dependência é tamanha, que quando ele não está disponível, costumamos reagir com reclamações indignadas."

O artigo já conta 4 anos e foi indicação de Sweet [senquis, flor!].

Em casa a gente usa muita sacola e bolsona da Natura e da Avon caus que senhoura dona mãe revende e "ganha" de brinde quando faz algumas encomendas grandes. Tem também um bornal que ganhei quando renovei a assinatura da Made in Japan. Uma boa pedida são as sacolas jeans da Artesanando.

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Terça-feira, Julho 31, 2007

Sabão e saudade

Terra: "Depois de usado, o óleo de cozinha pode ter dois destinos: dar uma enorme dor de cabeça e prejuízo para o seu bolso e para o meio ambiente ou se transformar em economia e, eventualmente, em receita extra. O primeiro caso ocorre quando você simplesmente descarta o óleo doméstico nos ralos e vasos sanitários. O acúmulo de gorduras nos encanamentos pode causar entupimentos, refluxo de esgoto e até rompimentos nas redes de coleta. No segundo caso está transformar esse mesmo óleo em sabão, por exemplo."

Uia, eu não tinha pensado no lado ecológico da questão. Em casa faz tempo que juntamos óleo usado pra trocar por sabão caseiro - como usamos pouco óleo, demora pra juntar uma boa quantidade e o quintal é muito pequeno pra fazer estripulia, vale mais a pena desse jeito. Uma amiga da minha mãe que faz. Só não sei se é a mesma receita do site, mas é bem melhor do que os de supermercado - até minha irmã leva pra Campinas. Se não me engano a Nina usa restos de sabonete na massa. Antigamente, quando morava em Olímpia, lembro de uma vizinha que fazia sabão no quintal num tacho enorme, num fogão rústico montado com tijolos. Ela fazia com banha, se não me falha a memória... Dona Diva. Aquilo borbulhava e ela mexia com uma ripa de madeira, e eu ficava o tempo todo ali perto, olhando. Dona Diva morava na casa em frente quando eu tinha uns 5 anos. Era uma encruzilhada: nós numa esquina, ela na outra, o bar da mãe do tio Neca nioutra e a igreja onde se faziam as melhores quermesses do mundo dos meus 5 anos.

Enfim.

As receitas do site:

Receita 1

- 5 litros de óleo de cozinha usado
- 2 litros de água
- 200 mililitros de amaciante
- 1 quilo de soda cáustica em escama

Colocar, com cuidado, a soda em escamas no fundo de um balde. Em seguida, adicionar a água fervendo e mexer até diluir a soda. Acrescentar o óleo e mexer. Misturar bem o amaciante. Jogar a mistura numa fôrma e cortar as barras de sabão somente no dia seguinte.

Receita 2 com aroma

- 4 litros de óleo comestível usado
- 2 litros de água
- ½ copo de sabão em pó
- 1 kg de soda cáustica
- 5 ml de óleo aromático de erva-doce ou outro a gosto

Esquentar a água. Separar meio litro e dissolver o sabão em pó nele. Dissolver a soda cáustica nos litro e meio de água restante. Adicionar lentamente as duas soluções ao óleo e mexer durante 20 minutos. Adicionar a essência mexendo bem, e despejar nas fôrmas escolhidas. Desenformar apenas no dia seguinte.

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Sexta-feira, Julho 27, 2007

Parece mas não é

Folha: "O DIÁRIO Oficial de hoje publica o veto do governo do Estado de São Paulo ao projeto de lei 534/07, que obrigava todo comerciante a usar sacolas erroneamente chamadas de ecológicas. A partir de um plástico modificado que, na química, é conhecido pelo nome de polímero oxibiodegradável, surgiram sacolas plásticas "ecológicas". Aparentemente, a causa é boa. Mas o projeto é um engodo técnico e uma marotice política."

Marotice política, adorei isso!

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Quarta-feira, Julho 25, 2007

Movimento que titia Batata apóia

USA Today: "Customers leave Ikea's 29 U.S. stores every day with Nordic-named housewares and assemble-it-yourself furniture, but the Swedish home furnishings retailer wants to see shoppers walk out with one less thing: a plastic bag."

IPC Digital: "A rede varejista Aeon vai iniciar um sistema de cobrança pelas sacolas plásticas fornecidas aos consumidores na ocasião de compras, em escala nacional. A Aeon está entre as principais redes de supermercados do Japão."

BBC: "A plastic-bag-free trial is being carried out in a chain of shops in Devon and Cornwall."

NY Times: "Alexandra Cousteau, neta de Jacques Cousteau e diretora do EarthEcho, um grupo de educação ambiental em Washington, disse: "A proibição do plástico faz sentido pela simples razão de que leva mais de 1.000 anos para biodegradar, o que significa que cada pedaço de plástico que já fabricamos ainda está por aí, com grande parte indo parar nos oceanos, matando os animais"."

Jornal do Estado: "Sindicato de Indústria de Panificação e Confeitaria do Paraná lançou um projeto para que as sacolas plásticas usadas para carregar os pães e as compras sejam gradualmente substituídas por sacolas de algodão cru, que não levam nenhum tipo de produto químico em sua composição e podem ser reaproveitadas várias vezes."

O Globo: "Uma lei aprovada na Assembléia Legislativa de São Paulo obriga os estabelecimentos comerciais a usarem sacolas plásticas biodegradáveis. Elas se degradam no ambiente em no máximo três anos, enquanto as normais levam mais de cem anos."

Agora MS: "O prefeito Laerte Tetila, já sancionou o projeto de lei apresentado pelos vereadores Laudir Munaretto (PR) e Margarida Gaigher (PT), que determina o uso de sacolas de papel ou plásticos oxi-biodegradáveis nos hipermercados, supermercados, mercearias, padarias, panificadoras, farmácias, feiras e comercio em geral de Dourados."

Click Aventura: "A Rede de Farmácias SESI está substituindo suas sacolas plásticas comuns por oxi-biodegradáveis e lança a sacola 100% algodão. A iniciativa da substituição representa uma redução no tempo de degradação do material em cerca de 100 anos, diminuição da quantidade de lixo que fica depositada no ambiente e preservação das reservas de petróleo, material fonte dos plásticos comuns."

Nesse Instante: "As lojas Whole Food em Nova York começarão a vender, por US$ 15, as sacolas de algodão da designer londrina Anya Hindmarch. O produto, que vem com a inscrição "Eu não sou uma sacola plástica", foi criado para ser usado na ida ao mercado no lugar das sacolas plásticas."

Eu não gosto de sacolas plásticas. A única vantagem delas sobre as de papel é que são impermeáveis, mas, de resto, evito usar sempre que possível. A Natura trocou as sacolinhas plásticas por modelos em papel e algodão cru há anos.

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Terça-feira, Junho 26, 2007

Era uma vez uma ilha


As fotos acima mostram a ilha japonesa Hoboro antes, na década de 50, e depois de quase 60 anos de mastigação ativa dos nanatsuba-kotsubumushi, um tipo de crustáceo que cavoca a rocha para construir seus ninhos. Como a rocha é constituída de material poroso [cinza vulcânica] carcomido pelos bichinhos, as tempestades e furacões conseguiram erodir quase tudo.

Fonte: MSN Mainichi.

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Terça-feira, Abril 24, 2007

Ecoplástico

ComputerWorld: "Uma parceria entre as empresas Metabolix e ADM, especialistas em produtos de baixo impacto para o meio ambiente, anunciaram a produção em massa do Mirel, liga de plástico feita a partir de compostos orgânicos."

Eu nem me lembro mais quando foi que ouvi falar pela primeira vez do plástico de milho mas aí está! Como dizia aquele jingle da Globo, o futuro já começou.

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