Segunda-feira, Janeiro 14, 2008

Lista

Iei! Das resoluções de leitura para 2008 já cumpri uma: fechei a conta dos livros de Agatha Christie que tenho e quais faltam.

Como dá pra perceber, minha coleção é toda bagunçada, com livros de quase tudo quanto é editora e coleção possível. Minha intenção é completar o máximo possível dos 20 títulos que me faltam dos romances policiais com as edições pocket da Nova Fronteira e, se sobrar grana, trocar as outras.

A conta deveria ser menor caus que tem cinco livros sumidos no mundo, mas que vou considerar perdidos para sempre porque não sei quando e para quem emprestei [A testemunha ocular do crime, Os crimes ABC, O inimigo secreto, O caso dos dez negrinhos e Um gato entre os pombos].

Será que finalmente conseguirei completar a coleção?

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Sábado, Janeiro 12, 2008

Orgulho e Preconceito - série

No catálogo da Ediouro do final da década de 80 em que achei Jane Eyre tinha outro clássico romântico obrigatório: Orgulho e Preconceito da escritora britânica Jane Austen, da mesma coleção [não encontrei com a mesma capa e tradutor (Lúcio Cardoso) da minha pra botar linque aqui... As edições atuais disponíveis, da Ediouro e a da Martin Claret, foram traduzidas por outros profissionais (ótimo motivo para ter esperanças de um dia ler a série Harry Potter com uma tradução decente, heh)]. Também faz parte da minha lista de Top Favoritos, algumas posições abaixo de Jane Eyre.

Nada mais natural, portanto, que eu aproveitasse pra baixar os seis episódios da minissérie da BBC pra assistir, ainda mais porque [não me atirem pedras!] a minha versão favorita da história é O Diário de Bridget Jones, niqui o ator Collin Firth interpreta a edição moderna do Mr. Darcy que fez tanto sucesso em 1995 [a propósito, a famosa cena do mergulho no lago está no episódio 3: nham nham!].

Passei a gostar mais ainda da história: o roteiro captou as idéias centrais do livro - algumas, eu confesso, não tinha captado quando li - e Jennifer Ehle fez uma Lizzy Bennet bem do jeitinho que eu imaginava: delicada mas com um senso de humor agudo, educada e polida mesmo quando emitia seus pontos de vista mais duros. A caracterização das personagens, aliás, me capturou dicumforça!

Não vou comparar com a versão para cinema com a Keira Knightley porque... Bem, eu assisti mas não lembro de nada. Desconfio que achei marromeno, nem muito bom nem horrível - senão eu lembraria, né? Né?

Tenho a vaga memória de que foi muito centrado na personagem de Keira - como o livro o é, no fim das contas: apesar de ser narrado na 3ª pessoa, é Lizzy Bennet quem fica sob o holofote o tempo todo, o que ela diz, o que ela faz, o que ela pensa. Na minissérie a presença de Mr. Darcy é maior, percebemos melhor a evolução dos seus sentimentos. Outros personagens também ganham mais destaque, e foi aí que descobri onde mais estavam o orgulho e o preconceito do título que perdi na leitura, além do par central.

Recomendo a minissérie com entusiasmo. E o livro - se possível no original junto com Sense And Sensibility [meu favorito da autora] e Emma [não me taquem pedras de novo, mas minha versão filmada favorita desse livro é... As Patricinhas de Beverly Hills].

* Resenha muito boa em português brasileiro do livro no blogue Bookworm

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Quinta-feira, Janeiro 10, 2008

Betty Eyre

Estava cá com meus botões matutando - e capaz que muita gente já pensou nisso também, não é nenhuma idéia original - que talvez Fernando Gaitán tenha se inspirado no livro da britânica Charlotte Brontë quando escreveu a novela Yo Soy Betty, La Fea lá na Colômbia. Tem muito ponto em comum no curso das personagens principais. Vejamos...

*** Contém informações sobre as obras Jane Eyre e Betty, A Feia. Viajante, retorne deste ponto se não deseja conhecê-los ainda. ***

Que Betty é feia ninguém discute, isso era o mote principal na novela e ela tirava de letra, com naturalidade e fazendo graça de sua figura.

Jane é, talvez, a primeira heroína romântica feia da literatura, concebida numa época em que a boa aparência era um dos raríssimos dotes a recomendar a mulher para um bom casamento, 160 anos atrás. Ela era consciente disso e se afligia um pouco, mas também fazia troça de si mesma.

Betty diplomou-se com louvor, era fluente em outros idiomas e era uma profissional competente.

Jane era professora numa época em que poucas mulheres aprendiam a ler e fazer contas, fluente em outros idiomas e era uma profissional competente - se isto não ficou claro com Adéle, ficou com a escola de Mr. Rivers.

Quanto a Don Armando, o que a gente pensava que fosse pura galinhice à primeira vista talvez fosse a mesma busca pela mulher ideal de Mr. Rochester, ambos comprometidos com a obsessão/loucura [Marcela Valencia e Bertha Mason, respectivamente].

Quando um e outro se apaixonaram pelas "feias", pela mente clara, calma, pureza de espírito e princípios morais elevados delas, sugeriram manter o compromisso anterior por força das aparências e fazer de Betty e Jane a amante. Ambas fugiram.

No condado de Morton, Jane é cuidada por St. John Rivers e suas irmãs Mary e Diana até descobrir que é herdeira de uma fortuna deixada por seu tio.

Em Cartagena, Betty conhece Michel. Mary e Diana, eu acho, são fundidas em Catalina Angel, que cuida de Betty até transformá-la numa mulher linda e segura de si.

Jane recusa os pedidos de casamento de St. John e Betty os avanços de Michel, que se interessaram por elas antes de uma ficar rica e da outra ficar bonita, pelos mesmos motivos que Mr. Rochester e Don Armando - ó outra coincidência: elas tratam St. John e Michel pelo primeiro nome, mas insistem em chamar os homens que realmente amam pelo título.

Durante o período em que ficaram foragidas, Mr. Rochester e Don Armando procuraram por elas desesperadamente, chegando a agir de forma enlouquecida, e quando elas voltaram mal podiam acreditar, mantendo uma certa distância a princípio.

Michel e St. John exilaram-se.

Bertha Mason e Marcela Valencia saíram do caminho do casal voluntariamente [de um modo ou de outro, mas por ações delas mesmas].

Tanto a novela quanto o livro terminam mostrando a primeira filha/o primeiro filho de Betty e Don Armando e Jane e Mr. Rochester.

Deve ter mais pontos em comum, mas só vou lembrar quando reler o livro. Em todo caso, só esses já dão bem o que pensar...

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Domingo, Janeiro 06, 2008

Jane Eyre - série

Ou: Senta que lá vem história.

Foi no final da década de 80 que descobri Jane Eyre, numa sessão da madrugada na TV Cultura. Em preto-e-branco na sala escura, os olhos do Conde Edward Rochester me assombravam e não consegui sossegar enquanto não descobri mais sobre ele. Que era Orson Welles eu sabia, mas a Internet ainda não existia pra essas bandas. Era o tempo, ainda, dos catálogos da Ediouro; foi ali que encontrei o livro de Charlotte Brontë [com essa mesma capa] que viria a ser o meu livro favorito de todos os tempos éva.

Muitos anos depois, assisti outra versão de Jane Eyre, mas não me marcou como a primeira vez. A história depende muito da interpretação dos dois atores principais e [acho que já comentei isso uma ou duas vezes no PdUBT antes] a dupla Charlotte Gainsbourg/John Hurt não me ganhou.

Os planos pra reler o livro no original já estavam feitos no ano passado, quando miguxo me enviou a lista dos concorrentes para o Golden Globe e vi uma atriz concorrendo na categoria de minisséries ou filme feito para a tv na temporada 2006/7 por... Jane Eyre!

Só se ouviu um cataploft.

Graças à Fernanda e à Tati, que me fizeram insistir pela terceira vez no cadastro do IsLife depois de não ter conseguido em duas, encontrei os quatro episódios da minissérie da BBC pra baixar [nunca vou agradecê-las o bastante por isto!].

Assisti neste final-de-semana.

Preparei coração e mente para evitar comparações com a versão de 1944 mas, depois de 15 minutos, não dava pra disfarçar mais: a maioria das seqüências era copiada plano-a-plano! Podia pensar que fosse natural, afinal não dá pra inventar muito quando se trata de adaptar o mesmíssimo livro. Daí vem a cena em que Jane criança encontra-se com Mr. Brocklehurst e a semelhança me deixa sem fôlego, com o enquadramento das personagens idêntico: Mr. Brocklehurst visto de baixo pra cima e Jane, de cima para baixo, tanto no filme quanto na minissérie.

Era a senha pra começar a comparar sem culpa! E, visto que o Jane Eyre de Orson Welles é um dos meus filmes top favoritos, foi até um ponto a favor pra minissérie, uai. [Pequena observação pessoal: eu tenho uma bronca contra atrizes bicudas. Me incomodam, não pergunte o motivo, Calista Flockhart, Elizabeth Mitchell, Claire Forlane... até a Evangeline Lilly mirrita. Quando vi a Ruth Wilson já criei barreira logo de cara. Ou de bico, quem sabe.]

Não gostei das crianças atuais, mais mecânicas e estridentes que as de 44. Tá certo que, em 44, uma delas era *a* Elizabeth Taylor, o que torna a comparação injusta. Também achei estranho terem colocado uma adolescente pra fazer a Adéle; a garotinha de 44 era tão encantadora e... francesa! Na escalação das crianças, 44 venceu 06 pra mim.

Talvez por contar com um elenco mirim tão mais fraco, o arco que mostra a infância de Jane foi menos desenvolvido na minissérie. Eu não sei se isso prejudicou a compreensão do caráter da personagem por parte de quem viu a história pela primeira vez; alguns comentários no site oficial criticaram muito o ritmo acelerado dos dois primeiros episódios, mas a maioria foi feita por quem também já conhecia o livro.

Até a metade do terceiro episódio ia tudo meio paripasso, filme e série, com uma que outra cena adicional e fotografia linda. A minissérie abriu mão da sutileza em duas seqüências que, no filme, foram filmadas de forma a não chocar a audiência da época, usando artifícios muito elegantes e que não deixavam dúvidas sobre o que tinha acontecido. Agora não necessitamos mais tanto prurido; ainda assim achei de uma crueza que destoou do tom.

Da metade do terceiro episódio até uns 3/4 do último não teve comparação: é um arco que foi cortado da adaptação de Aldous Huxley em 44, que transformou o clérigo St. John Rivers [que Jane conheceu pós-Thornfield] no médico Dr. John Rivers de Lowood, a instituição para onde Jane foi encaminhada pela Tia Reed.

Nos últimos 15 ou 20 minutos do quarto episódio, aí sim, foi a redenção. A conclusão da minissérie me derreteu mais que a do filme. A essa altura eu já tinha esquecido o bico da Ruth Wilson e o fato de que Toby Stephens é bonito demais para seu próprio bem ser Mr. Rochester. Acho que o fato desses minutos finais terem sido mais fiéis ao livro ajudou muito, passada a primeira estranheza de não ser narrado em primeira pessoa.

Pra quem gosta de romances de época [especificamente os vitorianos], recomendo a série com entusiasmo. E o livro. E o filme. Quanto à indicação pro Golden Globe, não sei se Ruth Wilson leva o prêmio porque não vi as outras concorrentes nas respectivas séries mas, intimamente, sinto que não haverá outra Jane Eyre tão perfeita quanto Joan Fontaine. Quanto ao Mr. Rochester perfeito, bem... Ainda espero este.
:o)

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Sexta-feira, Janeiro 04, 2008

Letrinhas no balanço

Todo mundo já fez a digestão de toda a comida das festas de fim de ano? Repôs o estoque de Estomazil? Prontos pra ver uma seqüência de caracteres sem enjoar?

Titia Batata copiou a idéia de 2006 e 2007 da Bruna e fez uma listinha "O que li no ano passado". Em ordem mais ou menos cronológica [os linques levam ao que comentei sobre a obra na época]:

Almanaque dos Anos 80 - de Luiz André Alzer e Mariana Claudino
O Segredo do Anel - de Kathleen McGowan
Anjos e Demônios - de Dan Brown
Praticamente Inofensiva - de Douglas Adams
Ramsés: O Filho da Luz - de Christian Jacq
O Terceiro Tira - de Flann O'Brien
Marley e Eu - John Grogan
Sherlock Holmes: O Vale do Terror - de Conan Doyle
Sherlock Holmes: O Cão dos Baskervilles - de Conan Doyle
Mestres do Suspense - de William Hjartsberg
Prelúdio para Matar - de Ngaio Marsh
20 Textos Que Fizeram História - coletânea da Folha de SP
Folha Conta 100 anos de Cinema - coletânea da Folha de SP
O Mundo Emocionante do Romance Policial - de Paulo de Medeiros e Albuquerque
A Aposta & Outros Contos - de Anton Tchecov
A Bruxa de Portobello - de Paulo Coelho
As Histórias Preferidas das Crianças Japonesas - de Florence Sakade e Yoshisuke Kurosaki
O Doador - de Lois Lowry
A Cor da Magia - de Terry Pratchett [em português brasileiro, desta vez]
Harry Potter e A Filosofia - de William Irwin
Howl's Moving Castle - de Diana Wynne Jones
O Senhor das Moscas - de William Golding
Como Transformar Sua Equipe No Seu Maior Patrimônio - de Lorraine Grubbs-West
Almanaque de Harry Potter e Outros Bruxos - de Ana Paula Corradini
O Manual do Bruxo: um Dicionário do Mundo Mágico de Harry Potter - de Elizabeth Kronzek e Alan Zola Kronzek [meu próprio exemplar, desta vez]
Harry Potter & The Deathly Hallows - de J. K. Rowling
O Assassinato de Agatha Christie - de Sun Holliver
Ética a Nicômaco - de Aristóteles
Treze à Mesa - de Agatha Christie
A Maldição do Espelho - de Agatha Christie
Morte na Praia - de Agatha Christie
A Aventura do Pudim de Natal & Outros Contos - de Agatha Christie
O Natal de Poirot - de Agatha Christie
Stardust - de Neil Gaiman
Coraline - de Neil Gaiman
Wuthering Heights - de Emily Brontë
Northern Lights - de Philip Pullman
Lendas Brasileiras Para Jovens - de Luís da Câmara Cascudo
Meu 1º Larousse das Curiosidades
The Subtle Knife - de Philip Pullman

Mangá e Quadrinhos:

Lobo Solitário - Vol. 17 ao 28 - de Kazuo Koike e Goseki Kojima
O Livro do Vento - de Jiro Taniguchi e Kan Fukuyama
Vagabond Definitivo: A História de Musashi - Vol. 1 e 2 - de Takehiko Inoue

Pontos positivos
Consegui manter uma boa média [e nem contei as releituras na lista] e eu gostei de quase tudo o que li em 2007 - em maior ou menor grau mas gostei. Para janeiro de 2008 estão na fila "Ponto de Impacto", de Dan Brown [meio que deixado de lado porque já tava ficando traumatizada com tanto livro no Pólo Norte] e "The Amber Spyglass" de Philip Pullman. Não tem jeito, vou ficar cega com tanta neve.

Pontos negativos
Li menos do que go$taria, e muito pouco de literatura oriental e latino-americana. Quase nada, na verdade... Aceito indicações! E eu desrecomendo dois livros da lista de 2007: "O Assassinato de Agatha Christie" [Sun Holliver] e "Almanaque de Harry Potter e Outros Bruxos" [Ana Paula Corradini].

Em 2008 pretendo...
Manter o ritmo.
Terminar seis ou sete livros que se arrastam há anos nas prateleiras e não rendem.
Listar os títulos da AC que tenho, comprar os que faltam e não os repetidos.
Desistir de aguardar novos títulos do Discworld em português.
Reler "Jane Eyre" e "Pride and Prejudice", desta vez no original [como fiz com "Wuthering Heights" no ano passado].
Mais alguma sugestão?

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Sexta-feira, Dezembro 21, 2007

Isso era aquilo

Eu tava sem nada pra fazer, num tééédio... Quando recebi emeio comercial da Saraiva com um erro* [de digitação ou ortográfico, quem há de saber?] e percebi que toda vez penso nesse livro com o título antigo, tendo que me corrigir logo em seguida. Como um planeta puxa o outro num carrossel em volta do sol**, lembrei também de outros dois livros que tiveram os títulos alterados, por um motivo ou outro.

Título original britânico: Northern Lights [Philip Pullman, 1995]
Título americano: The Golden Compass
Justificativa: The Golden Compass era o título pretendido quando o autor enviou o manuscrito para os editores americanos, mas eles demoraram a aprovar e os editores britânicos acabaram por mudar o título do primeiro livro, assim como o próprio nome da série - que era para ser "The Golden Compass Says..." e mudou para "His Dark Materials", uma linha do poema Paradise Lost, de Milton. [Fonte: Site não-oficial]
Título brasileiro: A Bússola Dourada, reeditado como A Bússola de Ouro - série Fronteiras do Universo.
Justificativa: um objeto feito de ouro é mais nobre do que um que apenas tem a cor dourada. [Fonte: Omelete]


Título original britânico: Ten Little Niggers, depois reeditado como Ten Little Indians, Ten Little Soldiers e, em 1985, sucumbiram ao And Then There Were None [Agatha Christie, 1939]
Título americano: And Then There Were None
Justificativa: a brigada politicamente correta norte-americana considera ofensiva a palavra 'nigger' e outras referências que denigrem [ops] índios. [Fonte: Rethinking Schools]
Título brasileiro: O Caso dos Dez Negrinhos


Título original britânico: Harry Potter & The Philosopher's Stone [J. K. Rowling, 1997]
Título americano: Harry Potter & The Sorcerer's Stone
Justificativa: os editores norte-americanos acharam que a menção à filosofia intimidaria as crianças de lá. Que grande consolo saber que não é só a editora e a tradutora brasileiras que consideram as crianças-alvo incapazes de ler um livro se não for beeem tatibitati. A edição dos EUA também foi adaptada para a criança média americana [titia Batata olha com raiva para sua coleção com 6 dos 7 livros editados pela Scholastic].
Título brasileiro: Harry Potter & A Pedra Filosofal

* Ver captura de tela do tal emeio.

** Trecho da música Em Volta do Sol [letra de Guillaume Isnard], do Zero.

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Quinta-feira, Dezembro 20, 2007

As Cinco Pessoas Que Você Encontra No Céu

Titia Batata falou várias vezes sobre como um preconceito bobo pode pôr a perder a oportunidade de conhecer alguma coisa legal, já não já?

Pois é, Titia Batata comete esse mesmo pecado da soberba e torce o nariz quando o assunto cheira, mesmo que vagamente, a auto-ajuda.

Tive a chance de ler As Cinco Pessoas Que Você Encontra No Céu, de Mitch Albom, e passei a vez. No fim de semana, no entanto, não pude escapar de assistir o filme baseado no livro caus que dona mãe queria muito ver, mas não sabe usar o dvd player. "Ora," direis, "podia ter colocado o filme pra ela e saído." Até podia, mas minha outra ocupação foi mantê-la acordada durante as 2h40 de duração. Não porque foi um filme aborrecido, e sim porque é uma característica dela, mesmo. Até a dona da videolocadora sabe que minha mãe assiste filmes mais com a boca aberta do que com os olhos.

Não consegui fazê-la assistir o filme inteiro [viu só 4 das 5 pessoas], mas eu vi. E gostei muito. É daquele tipo que deixa um efeito residual agradável, faz a pessoa se sentir uma pessoa melhor. Claro que meu lado ranzinza encontrou algo para criticar mas, face ao espírito natalino, vou me abster de comentar essa parte. Aliás, este é um filme ideal para se ver nesta época do ano se estiver se sentindo deprimido por causa das resoluções não cumpridas, dos balanços com saldo vermelho... Muito melhor, eu diria, do que os que a tv vai passar na semana que vem, aqueles filmes de pessoas vestindo túnica bege.

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Sexta-feira, Dezembro 14, 2007

:o(

Folha: "O escritor Terry Pratchett, um dos autores do Reino Unido que vende mais livros no mundo todo, anunciou que sofre de mal de Alzheimer em comunicado divulgado hoje pela imprensa britânica."

Será que a Vovó Esmerelda Cera do Tempo não dá um jeito? Nah, a especialidade dela é cabeçologia. Talvez Nanny Ogg?

*Triste.*

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Quarta-feira, Dezembro 12, 2007

Aaaaaaaaaah!!

A Cor da Magia, de Terry Pratchett, vai virar filme! Tim Curry [eu lóvo ele] vai ser Trymon, Sean Astin [o Sam Gamgee de O Senhor dos Anéis] vai ser o Duasflor, David Bradley [o Filch de Harry Potter] vai ser Cohen, o Bárbaro e *ataque histérico* Christopher Lee vai ser A VOZ DO MORTE!

*Cataploft*

Eu preciso reler o livro, eu preciso assistir Hogfather [o filme anterior] e eu acho que sou obrigada a acompanhar a série em inglês mesmo, porque lá se foram 15 meses desde o último lançamento de um livro do Discworld pela Conrad, desperdiçando matéria da Veja.

Nem a Grande A'Tuin entende cabeça de editor.

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Quinta-feira, Dezembro 06, 2007

Listas e listas

Fim de ano é época de lançar listas de mais isso, menos aquilo e, de novo em dois lugares, vi referências à edição especial da revista Bravo que relaciona os 100 livros essenciais da literatura mundial. Inda não achei a lista completa dos 100 pra brincar de fazer contas, apenas as de duas edições anteriores da mesma revista: 100 livros essenciais da literatura brasileira [esgotado, na loja da Abril - li 26, quase tudo "pra escola"] e 100 filmes essenciais [lançada em ago/07, se não me engano, ainda não apareceu na loja da Abril - nem vou contar pra não passar vergonha, embora tenha em casa "Era uma vez no Oeste"... legendado em japonês e que só roda em player da região 2. Nhé], que tem alguns filmes em comum com a lista da AFI.

Da lista da AFI o canal MGM vai passar 50 filmes agora em dezembro, segundo nota do Omelete - infelizmente, em horário desumanos pra batatas em geral.
:oS

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Sábado, Novembro 24, 2007

Brynn

Comecei [finalmente] a ler Northern Lights de Philip Pullman [trilogia His Dark Materials/Fronteiras do Universo], que foi adaptado para o cinema com o título A Bússola de Ouro, e fui ver qual meu dæmon particular.

Segundo o Wikipedia, o dæmon reflete as características pessoais de seu 'par'; assim, quem tem um dæmon em forma de cão tem propensão a seguir ordens [os funcionários da Universidade de Jordan, por exemplo], enquanto os que têm dæmons em forma de gato são independentes [Lord Asriel é um livre-pensador e tem, ahn... 'problemas' com autoridade].

O dæmon de Titia Batata é Brynn, um tigre macho.

E o seu?

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Quarta-feira, Novembro 21, 2007

O Natal de Agatha Christie

BBC: "[A Rainha Elizabeth 2ª] se casou com o príncipe Phillip aos 21 anos de idade, pouco depois da Segunda Guerra, em um período de escassez generalizada. [...] o casal recebeu 2,5 mil presentes de todo o mundo, incluindo 131 pares de meias-calças de nylon e 500 latas de abacaxi em conserva - produtos difíceis de encontrar na Inglaterra pós-Guerra."

Os livros de titia Agatha falam desse período com freqüência: casacos trocados por cupons de racionamento para comprar alimentos, contrabando de manteiga, risca preta no meio da perna para imitar a costura das meias, carvão para aquecimento racionado. Deve ter sido uma época bem difícil, e isso porque a Inglaterra ficou do lado "vencedor". Uma pessoa que viu a matéria da lista de presentes na tv achou engraçado, não se tocou do sacrifício que deve ter sido para conseguir essas coisas; eu, que tou na tpm, fiquei emocionada e quase me afoguei de chorar.

Os dois livros que li mais recentemente da autora, no entanto, falam de tempos melhores: tanto O Natal de Poirot quanto A Aventura do Pudim de Natal retratam o que a autora chama de "típico natal inglês no campo" no prefácio de Aventura, uma coletânea com cinco contos estrelados pelo detetive belga [não francês, Madame, belga!] Hercule Poirot e um conto com Miss Marple. Aventura [link com spoilers, leia por sua conta e risco] data de 1960, quando o mundo já cicatrizava bem as feridas de guerra, e o Natal [link com spoilers, etc., etc., etc.], romance também protagonizado por Poirot, é de 1939, quando a Guerra começou. Elizabeth tinha 13 anos em 1939 e foi com esta idade que conheceu o Príncipe Philip.

Voltando aos livros, ambos têm a marca registrada de titia Agatha: um grupo de pessoas isoladas num ambiente fechado nonde ocorreu um crime. Você *sabe* que o culpado é uma daquelas pessoas; o jogo é descobrir quem, como e porquê. Nesse ponto me identifico com outra personagem de Agatha Christie, a escritora Ariadne Oliver: vou chutando e mudando de idéia várias vezes no caminho. Se acontece de acertar, geralmente é por acaso! E, como tenho memória curta, posso ler de novo daqui a um tempo e errar outra vez.

Eu confesso que sou lombriguenta; se leio ou vejo a descrição de uma receita é certo que vou querer experimentar. Posso até não gostar, mas pelo menos *tenho* que provar primeiro. No entanto, isso não aconteceu com o tal pudim de natal inglês [link no Wikipedia]. Acho que prefiro o panetone de goiabada que acabei de detonar nesta madrugada. Nham.

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Segunda-feira, Outubro 29, 2007

Dia Nacional do Livro

Eu não sabia, é hoje. Segundo o IBGE, a data corresponde ao dia em que a Biblioteca Real Portuguesa foi transferida paa o Brasil [29 de outubro de 1810].

Titia Batata anda fraquinha de leitura, patinando com Ética a Nicômaco e A Dança do Universo enquanto se distrai com Stardust. Traduzindo: com esse calor, mal dou conta de meia dúzia de parágrafos por vez. *Vergonha.*

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Sábado, Outubro 27, 2007

TPM 2

G1: "Um artigo escrito pelo filósofo francês Jean-Claude Milner, publicado nesta sexta-feira (26) no jornal 'Liberatión', um importante diário de Paris, insinua que Harry Potter, o bruxinho dos livros da autora britânica J. K. Rowling, consagrado na série de filmes do cinema, tem ideologia política de esquerda."

Dois erros num único parágrafo: se o autor da matéria acha que a consagração da série aconteceu por causa dos filmes, não deve ter ouvido falar nas milhares de crianças que pegaram livros para ler pela primeira vez na vida. O segundo erro é mais uma omissão: o Libération [o acento tá no lugar errado na matéria, mas não vou ser xiita de pôr na conta, nem os erros de digitação do mega-über-portal] é um jornal de esquerda. Merece o mesmo tipo de citação que o veículo da Globo faz quando a Record noticia algo relacionado às igrejas católica ou do bispo.

Nesta outra matéria em inglês o assunto é melhor explicado. Até o fato do nome da tia Guida estar no original [Marge] ajuda a entender melhor a referência a Margareth Tatcher. Isto sim entra na conta de coisas que a gente perde na tradução.

Para quem lê francês: o artigo de Milner no original.

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Sexta-feira, Outubro 19, 2007

Go, and catch a falling star

As pessoas dizem "vai lá assistir Stardust - O Mistério da Estrela, cê vai gostar!" e Titia Batata responde "eu vou, assim que sair em dvd!". Daí, enquanto isso pensei em ler o livro - nem tanto para comparar com o filme mas porque, bom, eu gosto de ler, num sabe? E eu gosto de Neil Gaiman, o autor.

Logo na introdução eu *tenho* que parar e comentar com alguém: o poema que inicia Stardust é o mesmo que serve de base para Howl's Moving Castle da Diana Wynne Jones!

Go, and catch a falling star,
Get with child a mandrake root,
Tell me where all past years are,
Or who cleft the Devil's foot,
Teach me to hear mermaids singing,
Or to keep off envy's stinging,
And find
What wind
Serves to advance an honest mind.
If thou be'st born to strange sights,
Things invisible to see,
Ride ten thousand days and nights,
Till age snow white hairs on thee;
Thou, when thou return'st, wilt tell me
All strange wonders that befell thee,
And swear
No where
Lives a woman true, and fair.
If thou find'st one, let me know,
Such a pilgrimage were sweet;
Yet do not, I would not go,
Though at next door we might meet:
Though she were true, when you met her,
And last, till you write your letter,
Yet she
Will be
False, ere I come, to two or three.

John Donne, o autor, é filho de uma sobrinha de Thomas More, que foi conselheiro de Henrique VIII, aquele que renegou o catolicismo e fundou a Igreja Anglicana para casar-se com Ana Bolena [ha! eu sabia que assistir The Tudors ainda ia servir pra alguma coisa!]. Thomas More e sua família continuaram professando a doutrina católica romana. Em sua fase adulta, seu sobrinho Donne tornou-se anticatólico sob o reinado de Elizabeth I [filha de Henrique VIII e Ana Bolena, e última da dinastia dos Tudors, conhecida como rainha virgem *cof*, portanto contemporâneo de Titio Shakespeare], depois sob Charles I e chegou a fazer parte da comitiva de Sir Walter Raleigh contra a Espanha.

Tou à caça de mais obras dele, caus que o perfil diz que era partidário das metáforas, coisa e tal [eu achei pessismista cínico, no pouco que li]. No Moving Castle a interpretação do poema parece literal à primeira vista [principalmente para Michael e Sophie], mas também é metafísica para Howl e Calcifer. Agora falta saber como ficou em Stardust.

* Encontrei esta tradução, sem indicação de fonte. Talvez seja do livro em português, eu não posso afirmar porque não li a edição brasileira. Em todo caso, agradeço quem puder me confirmar.

Agarra a estrela cadente,
mandrágora vê se emprenhas,
encontra o tempo fugente,
quem ao Diabo deu as manhas,
diz-me como ouvir sereias,
não sofrer de invejas feias
e que brisa
nos avisa
dos caminhos que alma pisa.

Se é teu destino buscar
que não há quem veja ou meça,
noite e dia hás-de trotar
té que a neve te embranqueça,
e ao voltar dirás que baste
maravilhas que passaste
e que não
viste então
uma mulher sem senão.

Se uma achaste verdadeira,
valeu-te a pena a cruzada.
Mas eu não caio na asneira
de tê-la por minha amada.
Honesta seria ainda
ao tempo da tua vinda.
Mas agora
já teve hora
de a dois ou três ser traidora.

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Terça-feira, Outubro 02, 2007

Pockets

Folha: "Formato muitas vezes rejeitado e freqüentemente associado a edições de má qualidade, o livro de bolso está ganhando mais espaço nas livrarias e se firma no mercado brasileiro, mobilizando grandes editoras."

Já li exemplares da Companhia das Letras, da Martin Claret, da L&PM e da Objetiva e não vi diferença negativa nenhuma - às vezes até em contrário, caus que são melhores pra ler na cama. O papel é resistente, a tinta não borra, a goma não racha. Tenho livros da Agatha, das décadas de 80 e 90, que não são pocket nem aquela edição pulp de banca e que são muito piores do que essa edição de bolso que tá saindo agora. São da edição oficial da Nova Fronteira e minha idéia é ir trocando conforme os títulos sejam lançados, especialmente o "Três ratos cegos e outras histórias".

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Quinta-feira, Setembro 27, 2007

Da natureza humana

Os dois livros que li mais recentemente de Agatha Christie estão separados por quase 30 anos entre o lançamento de um e de outro e, no entanto, trazem personagens tão parecidos que me fazem pensar que a natureza humana é mesmo imutável e igual, em qualquer parte do mundo.

Treze à mesa traz Hercule Poirot, o Capitão Hastings e o inspetor Japp investigando o assassinato do marido de uma atriz famosa. A maldição do espelho traz Miss Marple e o inspetor Craddock, da Scotland Yard, investigando a morte de uma aldeã na mansão de uma atriz famosa.
Não é o fato de que os dois livros sejam ligados ao mundo do cinema que me fez achar que são parecidos, mas a observação que a autora faz das pessoas, famosos ou anônimos. Ela é especialmente cruel - ou seja, verdadeira - ao retratar um tipo de pessoa tão egocêntrica que a gente acaba por desejar ver morto. Ou pelo menos chutar-lhe o traseiro. Não uma pessoa egoísta, e sim alguém tão cheio de certezas absolutas sobre o que é apropriado pro nosso próprio bem que é absolutamente insuportável.

Esse é um dos motivos que me faz apreciar tanto os livros de titia Agatha: ah, sim, eu gosto de histórias tipo CSI também, mas nos livros dela as provas não contam muito [às vezes chegam a ser desdenhadas, no caso de Poirot]. O que vale ali são as motivações e as reações humanas. Dinheiro, na maior parte das vezes, poder, inveja, ciúme, rancor, comportamento vicioso ou insanidade, até amor. Ora, a natureza humana sendo como é, diria Jane Marple.

Ambos foram adaptados para o cinema [Lord Edgware Dies, de 1934, Thirteen at dinner de 1985 para a tv, The mirror crack'd de 1980 e a versão para a tv, de 1992]. A versão para o cinema d'A maldição do espelho está na pré-venda: é a única que assisti e lembro que na época fiquei bem impressionada com a trama. Foi por causa desse filme que me apaixonei por Elizabeth Taylor e decerto foi Angela Lansbury quem definiu minha preferência por Miss Marple em vez de Poirot.

Outra característica do livros de Agatha Christie é fazer referências, seja a casos resolvidos em livros anteriores e personagens que fazem "crossovers" nessas histórias, seja a costumes e superstições típicos, e parte da graça está em descobri-los ou pesquisar sobre eles. Uma superstição de 'Treze à mesa', por exemplo, também é mencionada em 'Harry Potter e O Prisioneiro de Azkaban' e eu *acho* [do verbo "é puro chute"] que é de origem cristã [de cristianismo, não de christie]: se treze pessoas estão sentadas à mesa, a primeira a se levantar será a primeira a morrer. Isso me leva a imaginar uma mesa cheia de velhinhos com looongas barbas brancas dizendo "primeiro você. não, vai você, eu insisto" até todos morrerem em volta, de puro tédio. De qualquer forma, procurar essas referências faz parte da diversão.

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Terça-feira, Setembro 18, 2007

Espiões que eles amam*

EntreLivros: "Dez livros para envolver o leitor no intrincado universo dos agentes secretos"

. Cassino Royale, de Ian Fleming, várias editoras

. O espião que saiu do frio, de John Le Carré, Record

. O agente britânico, de William Somerset Maugham, Globo

. Nosso homem em Havana, de Graham Greene, Record

. A máscara de Dimitrios, de Eric Ambler, várias editoras

. Os 39 degraus, de John Buchan, várias editoras

. Caçada ao Outubro Vermelho, de Tom Clancy, Record

. O dia do Chacal, de Frederick Forsyth, Record

. Ficções, de Jorge Luis Borges, Globo

. A volta de Modesty Blaise, de Peter O'Donnell, Record

* Me incluí fora dessa, a la Vicente Matheus, caus que só conheço dois da lista de dez [o do John Le Carré e o do Tom Clancy. Do Ian Fleming inda nem vi o filme].

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Quarta-feira, Agosto 22, 2007

[S] Objeto de desejo

Folha: "Os romances de crime e detetive da autora britânica Agatha Christie, imortalizados em programas de televisão, filmes e obras de teatro, serão adaptados agora para histórias em quadrinhos."

Como assim, "agora"? Faz um tempinho já que tenho 'O Assassinato no Expresso do Oriente' nesse formato. Mas não tem problema: quanto mais, melhor.

Versão com fotos na BBC.

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Terça-feira, Agosto 21, 2007

Potterices 3

Continuação de Potterices e Potterices 2.]

No mundo mágico criado por J. K. Rowling a imprensa existe: há pelo menos um jornal diário entregue todas as manhãs por corujas, uma estação de rádio e seis revistas.

Durante o mandato do ex-Ministro da Magia Cornelius Oswaldo Fudge, quando Harry testemunhou a reaparição do Lorde das Trevas que quase todos os bruxos médios [equivalentes ao Homer Simpson, conf. William Bonner] supunham mortinho da silva, a estratégia oficial do Ministério foi negar, negar e usar o "Profeta Diário" para minar a credibilidade de Harry e de Dumbledore. O método utilizado variava entre a ridicularização sutil e a calúnia. A justificativa de Fudge? Ele dizia que o retorno de Voldemort não seria possível e que dizer o contrário à população provocaria uma desestabilização do sistema e da ordem. Assim, ele pretendia neutralizar a influência de Harry e Dumbledore sobre a opinião pública através da desmoralização de ambos.

Quando o retorno de Voldemort finalmente não pôde mais ser ignorado pelas autoridades e pela mídia, Fudge caiu - quase no estilo britânico de derrubar políticos envolvidos por escândalos [na vida real eles caem quando o escândalo é de natureza sequissual]. Imagine Harry Potter no Brasil, nonde os casos de corrupção mais cabeludos aparecem feito Gremlins e basta ao político jurar que não sabia, que foi traído e tá tudo limpo? Não rola.

O sucessor de Fudge, Rufus Scrimgeour, tentou outra tática para manter o Ministério da Magia no papel de autoridade máxima do mundo mágico: usar Harry para dar a impressão à imprensa de que Harry apoiava as ações do Ministro, pedindo que se deixasse ser visto entrando no Ministério de vez em quando. No mundo real também vemos isso acontecer todos os dias, quando "formadores de opinião", artistas e famosidades saem nos meios de comunicação ao lado de políticos declarando seu apoio às ações deles. No meu dicionário isso aparece no verbete "manipulação de massas".

Desqualificação dos inimigos, censura, manipulação da opinião pública, implicação de um "inimigo comum" [que pode ser a inflação, o desemprego, os terroristas, os imigrantes, o mercado...], tudo junto numa panela só me lembra muito a propaganda de Goebbels. Tia Jo começou a escrever Harry Potter quando o movimento neonazista voltava a ganhar força na Europa, no meio dos jovens de baixa educação que competiam com os imigrantes pelos empregos que não exigiam qualificação, e continuou a série durante o período pós-11 de setembro. Parte da mídia inglesa se esforçava para justificar a adesão incondicional do primeiro-ministro Tony Blair à caçada empreendida por George W. Bush. É, tia Jo, eu também tenho medo disso tudo.

Para poste futuro estou sem idéias no momento.

* Versão com referências a Deathly Hallows na Cozinha.

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Quarta-feira, Agosto 15, 2007

Potterices 2

[Continuação de Potterices]

Lord Voldemort, o vilão da série, é temido como um dos bruxos mais poderosos do mundo, mas mesmo ele não conseguiria dominar a todos sozinho. Voldemort conta com uma legião de seguidores chamados Comensais da Morte, praticantes das Artes das Trevas que fazem uso das três Maldições Imperdoáveis para impor a obediência através do medo:

[1] Cruciatus = tortura
[2] Imperius = controla
[3] Avada Kedavra = mata

Eu gosto do jeito que tia Jo dá a entender que privar uma pessoa de seu livre-arbítrio [através da Maldição Imperius] é tão grave quanto matar e torturar. Faz a gente pensar nas ditaduras políticas [que ainda acrescentam as outras duas maldições na conta] e em algumas práticas religiosas...

Tia Jo também não tem os políticos e burocratas em alta conta. São eles que permitem que o mal se alastre quando demoram a tomar atitudes firmes e, quando tomam, geralmente são ações para preservar seu status quo. O ex-Ministro da Magia Cornelius Oswaldo Fudge, por exemplo, é um pusilânime [ou, em português castiço, um bunda-mole] mais preocupado em controlar a escola de Hogwarts, dirigida por Albus Dumbledore, porque sabe que Dumbledore é um bruxo muito mais capaz e teme perder seu cargo. Para isso impõe a vaca da Dolores Umbridge, primeiro como professora e depois como Alta Inquisidora, com poder absoluto sobre as decisões, acima de Dumbledore.

O título de Inquisidora não vem de graça: está mesmo muito relacionado ao movimento da Inquisição religiosa por defender o cânone, o que está escrito no livro oficial. Em vez de caçar supostos praticantes de bruxaria [o que seria meio incongruente num mundo mágico, pois pois?], a vaca da Umbridge caça aqueles que professam idéias diferentes do que o Ministério considera aceitáveis. Infelizmente, ela não teve a sorte de contar com a sabedoria do tio Ben [tio de Peter Parker, o Homem-Aranha] e não aprendeu que "grandes poderes trazem grande responsabilidade". Ela usa a autoridade para praticar crimes de preconceito, abuso e maus-tratos sob a proteção do cargo e sob a falsa aparência de que só deseja o nosso bem, por obedecer a ordem.

A falsidade é a ferramenta que ela mais usa: fala com voz infantilizada, usa roupas cor-de-rosa com direito até a lacinho no cabelo, finge surpresa quando demonstram antipatia por ela e seus métodos...

Ela é, de longe, a personagem que eu mais detesto na série - muito, muito mais do que Voldemort, talvez por já ter trabalhado com uma dessas. A falsidade, os métodos e pusilanimidade são os mesmos, e acredito que existam muitas outras na vida real afora. Ou, como disse o Sirius: "o mundo não está dividido entre os bons e os Comensais da Morte". Existem também as vacas das Dolores Umbridge.

Para poste futuro o tema será a liberdade de imprensa.

* Versão com referências ao livro "Deathly Hallows" na Cozinha.

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Segunda-feira, Agosto 13, 2007

O Psicopata Americano

No episódio de ontem de Dexter, ele mencionou um velho conhecido de titia Batata, Patrick Bateman.

textoO Psicopata Americano [American Psycho]
de Bret Easton Ellis
Ed. Rocco

Lançado em 91, o livro cobre um ano da vida de um yuppie da década de 80, um executivo que divide seu tempo entre Manhattan e Wall Street, e pode ser lido de três modos:

3] literatura de aeroporto, que se lê numa sala de espera do dentista, por exemplo, sem compromisso.

2] um guia prático da moda dos anos 80 do ponto de vista yuppie. Patrick Bateman, o personagem principal, é considerado a Bíblia da moda em seu meio, uma espécie de GQ ambulante [revista estilo Capricho para jovens executivos: ensina quais são as marcas 'in' e quais os nós de gravata mais apropriados para cada ocasião]. Bret Easton Ellis gasta a maior parte das 485 páginas descrevendo como e o quê seus personagens vestem, o que comem, os lugares onde vão e o tipo de mulher com quem mantém relações. Donald Trump é o ícone a ser imitado e Ivana Trump, sua sex symbol. Três capítulos inteiros são dedicados à música [Huey Lewis and The News, Whitney Houston e Genesis] e vários outros parágrafos a Mike and The Mechanics, Talking Heads, Les Miserables, U2 [atenção para a parte em que Bateman tem um delírio no show do U2 e acredita que Bono Vox pode ver dentro dele].

1] um thriller com fortes doses de erotismo e escatologia. Narrado em primeira pessoa, Pat Bateman dá voz a pensamentos quase nunca agradáveis. Com 26 anos, milionário, bonito, vive num ambiente em que todos são iguais [é comum, no livro, personagens confundirem-se uns com os outros e trocarem os nomes] e o uso de drogas tão freqüente quanto sessões de bronzeamento artificial.

Após a segunda leitura, porém, a dúvida que surge é: Patrick Bateman realmente cometeu aqueles assassinatos? De sua boca saem palavras como: "Você parece que não entende. Não está entendendo nada. Eu o matei. Fui eu, Carnes. Eu cortei fora a maldita cabeça de Owen. Eu torturei dezenas de garotas. Tudo aquilo que eu disse na sua secretária é verdade." e ninguém lhe dá crédito.

O Psicopata Americano foi transformado em filme no ano 2000, com direção de Mary Harron [de 'I Shot Andy Warhol'] e atuações de Christian Bale [O Império do Sol], Willem Dafoe [A Última Tentação de Cristo], Jared Leto [O Clube da Luta], Reese Witherspoon [Cruel Intentions]; trilha sonora de Cure, David Bowie, Rakim, Eric B. e John Cale [ex-Velvet Underground].

Ao contrário do que possa parecer, a referência mais óbvia não é Bud Fox [Charlie Sheen] em 'Wall Street' e sim Buffalo Bill [Ted Levine], o assassino de 'O Silêncio dos Inocentes': "[...] acima de uma das portas cobertas pelo drapeado de veludo vermelho no Harry's há uma tabuleta e na tabuleta em letras que combinam com a cor do drapeado estão as palavras: ESTA NÃO É A SAÍDA."

* Publicado originalmente no 700km.

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Terça-feira, Agosto 07, 2007

Potterices

No mês passado, auge da Pottermania, alguns miguxinhos informaram nunca ter lido um filme nem assistido um livro da série - não só nos comentários aqui do blogue mas também do lado de cá do monitor.

Eu não vou me aprofundar muito, esmiuçar os detalhes, caus que, de qualquer forma, tia Jo [J. K. Rowling, a autora] pretende lançar uma enciclopédia no futuro. Vou só comentar algumas coisiquinhas de acordo com o que for lembrando e com o meu ponto de vista, numa série de postes que poderão conter spoilers [ou não]. Neste caso serão duas versões: a editada no PdUBT e a completa na Cozinha. Começando do começo...

O que a maioria sabe é que Harry Potter é o mocinho e Lord Voldemort é o bandido, até aí morreu Neves. Existem alguns tipos de pessoas neste mundo:

. trouxas [Muggles]: pessoas sem poderes mágicos. Ex.: os tios e o primo de Harry Potter, os Dursley;
. bruxos nascidos em família trouxa [Muggleborns]. Ex.: Hermione e Lilly Evans Potter, a mãe de Harry. Alguns bruxos preconceituosos usam um termo pejorativo [MudBlood ou Sangue-Ruim];
. bruxos mestiços [Half-Blood], um dos pais é bruxo e o outro é trouxa. Ex.: Dean Thomas e Seamus Finnigan. Hagrid é meio gigante, meio bruxo.
. bruxos sangue-puro, nascidos em família bruxa. Ex.: os Weasley, os Black, os Malfoy;
. abortos [Squib], o oposto de Muggleborns, pessoas sem poderes mágicos nascidos em família bruxa. Ex.: Filch e a tiazinha dos gatos que eu nunca lembro o nome.

O que torna Lord Voldemort vilão é o seu desprezo pelo que ele considera seus inferiores, qualquer um que não seja bruxo de sangue puro. Bruxos de sangue puro que não tenham os mesmos preconceitos que ele também são considerados inimigos da raça; Arthur Weasley adora trouxas, ele se encanta com as coisas que a gente inventa para viver sem mágica. Voldemort persegue e mata trouxas, Muggleborns e o que ele chama de traidores da raça, torturando-os.

Olhando assim, a associação com Hitler vem de primeira, claro. O ódio racial, ódio contra quem era diferente [homossexuais, deficientes], a perseguição, encarceramento, tortura e assassinato, arregimentação de pessoas que compartilhavam deste ódio, a cooptação de pessoas que *não* compartilhavam, por meio de chantagem e ameaça, tudo leva ao nazismo. Cá pra mim tem outras associações muito mais próximas e atuais também... À primeira vista parece coisa-pouca, insignficante, mas a base é a mesma: a intolerância.

Uma historinha pra ilustrar: meus quatro avós são imigrantes, meus pais e tios são da primeira geração nascida no Brasil. São seis do lado materno e oito do lado paterno. Três do lado materno são casados com não-descendentes ["gaijins", que não deixa de ser um termo pejorativo também]; o primeiro enfrentou uma certa resistência, mas passou. Do lado paterno nenhum. Mesmo os primos mais velhos casaram com descendentes; só a partir mais ou menos da geração dos 30 anos e pouquinho pra baixo que os casamentos mistos começaram a acontecer.

Outro grupo de famílias, italiano, tem o costume de casarem entre primos para manter a pureza do sangue. Alguns ramos já apresentam sintomas de "Gaunt", ancestrais de Voldemort. Outros só se casam com pessoas da mesma religião, ou porque já é uma tradição arraigada e o cidadão nem pensa mais nos motivos ou porque a religião exige, força mesmo.

E, por falar em religião, o que dizer quando uma delas auto-proclama-se a única verdadeira ou usa de todos os artifícios para te converter ou persegue, encarcera, tortura, ameaça, mata os infiéis? Intolerância, pra mim.

Harry Potter parece uma série infantil sobre os encantos de um mundo desconhecido e mágico, mas isso é só a superfície. Tem muito mais do mundo real e imediato nos livros, inclusive do mundo corporativo.

Para poste futuro o assunto será a vaca da Dolores Umbridge.

* Versão com referências ao livro "Deathly Hallows" na Cozinha.

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Quinta-feira, Julho 19, 2007

-1

Faltando um dia e algumas horas para a liberação das vendas de Harry Potter & The Deathly Hallows...

Nos comentários, Fernanda mandou a previsão de entrega disponível agora no site do Submarino: 21 de Julho válido apenas para entregas no Rio de Janeiro e Grande São Paulo, demais localidades receberão em até 4 dias úteis, contados a partir do lançamento. Bruna, agüente firme!

Para quem não comprou na pré-venda e mora em cidade civilizada e não num fim de mundo quinem Titia Batata, pode aproveitar os eventos programados [livre de spoilers] pelas livrarias pra comemorar o lançamento às 20h01 da sexta-feira, dia 20 [0h01 de Londres]. Saraiva, FNAC, Cultura e Livraria da Travessa [RJ] são os que eu sei até agora que têm festas programadas para amanhã no Brasil; FNAC, Bertrand e Bulhosa em Portugal [livre de spoilers].

O esquema de segurança [livre de spoilers] montado pela Bloomsbury [editora britânica] e pela Scholastic [editora americana], que custou milhares de libras e pode ser vista, em parte, neste vídeo [livre de spoilers, a cena do empacotamento é do livro anterior], certamente vazou na Internet: uma jornalista do New York Times já publicou uma resenha [pode conter spoilers, eu só li a manchete] e fotos das páginas apareceram em vários sites e hosts de imagens. Segundo a Times online [livre de spoilers], a câmera utilizada para fotografar as páginas é uma Canon Rebel, provavelmente modelo 350D, com o número de série 560151117. Teve até um jornal paulista, de grande circulação, que fez o favor de dizer qual personagem não morre logo na manchete [sem link, sem spoiler].

Outro problema que o livro enfrenta são as reações religiosas contrárias [livre de spoilers, mas dispõe comentários de leitores] à série de fantasia. Em Israel um rabino [livre de spoilers] critica tanto a série quanto o fato do lançamento fazer com que algumas livrarias abram no sábado, dia consagrado ao descanso para a religião. Já a Igreja Anglicana adotou a postura "se não pode com teus inimigos, junta-te a eles" e lançou uma espécie de guia [livre de spoilers] para encontrar referências cristãs nos filmes da franquia Harry Potter. Eles não podem se dar o luxo de ignorar que são 10 anos, 325 milhões de volumes, traduzido para 64 idiomas, uma geração inteira de leitores [livre de spoilers] e até um universo paralelo [livre de spoilers].

Eu não tenho pruridos religiosos, mas confesso que caí na besteira de ver as fotos do que supostamente são as últimas páginas do livro, e é só isso que digo no momento. Talvez não resista quando o livro chegar e parta direto pra última página - eu e mais 17% dos leitores [livre de spoilers], segundo pesquisa da Waterstone's. Tentarei bravamente evitar esse sacrilégio! Até comecei a reler o Half-Blood Prince ontem, pra ajudar. O que eu não vou fazer é contar o que acontece depois que terminar de ler, aqui, e só 15 dias depois na Cozinha.

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Sábado, Julho 14, 2007

Nhé procê

A pergunta - 12/7/7 15h
O Submarino terá algum esquema especial para a entrega do livro "Harry Potter & The Deathly Hallows" para os consumidores que adquiriram o produto em pré-venda [Interior - Região 2]?

A resposta - 13/7/7 19h50
Em atenção ao seu contato, informamos que como o produto possui o prazo de 147 dias, receberá um e-mail informando o prazo correto de entrega para sua cidade.

Estaremos a sua disposição para outros esclarecimentos que se façam necessários.

Ter você a bordo será sempre um imenso prazer para nossa tripulação!

[Nome suprimido]

Submarino Atendimento

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Sexta-feira, Julho 13, 2007

A esperança é a última que morre

Até O Senhor dos Anéis está passando por uma nova tradução [e nem era tão ruim assim], a exemplo do que já foi feito com O Mochileiro das Galáxias.

E no fórum Valinor tem também o abaixo-assinado pelo lançamento das versões estendidas dos filmes no Brasil.

Nome: Luciana Naomi Hikawa
Numero da Assinatura: 8080

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Quarta-feira, Julho 11, 2007

Fique rico ou morra tentando

BBC: "Quatro consultores italianos para o setor de gerenciamento tiveram uma nova idéia para progredir nos negócios - ler menos livros com teorias e assistir mais filmes."

Mas pra dizer isso tiveram que escrever um livro.

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Sexta-feira, Julho 06, 2007

And I'm a grown-up, for God's sake - a damn Muggle!

Entertainment Weekly: "I'm having a day of mixed feelings: happy because I'm reading the manuscript of a novel that's full of magic, mystery, and monsters; sad because it will be finished tomorrow and on my shelf, with all its secrets told and its surviving characters set free to live their own lives (if characters have lives beyond the end of a novel ? I've always felt they do)."

Um artigo* de Stephen King que retrata bem as emoções de futuros órfãos de J. K Roling.

* Livre de spoilers.

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Domingo, Junho 24, 2007

-26

ANSA: "Psicólogos e psicoterapeutas dos Estados Unidos e Grã-Bretanha advertiram os pais de fãs do Harry Potter para que preparem emocionalmente seus filhos diante da eventual morte do menino bruxo."

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Rocco divulgou o lançamento da edição brasileira para 10 de novembro na reportagem da capa da revista IstoÉ desta semana. Segundo o cronograma, a tradutora trabalhará 10 páginas por dia.

Essa matéria vale a pena ler: não tem erros primários de informação, assim passa a impressão de que ou a jornalista leu os livros e viu os filmes ou pelo menos se deu o trabalho de pesquisar bastante, o que é muito mais do que vi em outras reportagens de veículos grandes [e até em livros dedicados ao tema]. Eu gostei de conhecer os dubladores brasileiros do trio e de Luna Lovegood [eles já viram o filme!].

Fica agora a aposta: quem vai acertar o destino de Harry Potter, Ben Schoen, do site Mugglenet, ou Read Wyller?

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Sexta-feira, Junho 15, 2007

-35

"Luciana, você é uma fraca! Não tem mais jeito!"

*de cabeça baixa e vremeia*

Sim, eu sou. Não, não tem.

Agora dá licença que vou ali devorar o bombom que o Correio acabou de entregar. Senquisgóde tou de folga.

Atualização
Dica de Titia Batata: poupe os caraminguás. Para quem acompanha a série nos livros, filmes e Internet não traz nada de novo e inda incorre em alguns erros - poucos e inofensivos, mas que depõem contra. Num livro cheio de informações e ensaios como o da Filosofia alguns erros não fazem mossa, mas num superficial como este Almanaque aparece mais. Nessa linha, o Manual vale mais a pena, mesmo para quem é neófito.

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Tomai e comei

Digestivo Cultural: ""Livros devem ser oferecidos como uma caixa de bombons."
Adélia Prado, em entrevista sobre como despertar o interesse de novos leitores."

Com esta introdução, a colunista Adriana Carvalho montou três "caixas de bombons", para três fases da vida. A primeira para crianças, a segunda para jovens e a terceira para adultos. Eu confesso que li poucos dos que ela citou: A Fada Que Tinha Idéias é um dos meus TFF; de Agatha Christie li quase todos; um pouco de Conan Doyle [três, agora! ampliei 300% em relação ao começo do ano], um pouco de Garcia Marquez, Saramago, Clarice Lispector e Cortazar. E muita Turma da Mônica e Tio Patinhas, claro. Assim, minhas caixas talvez sejam bem diferentes das dela. Vam'ver...

A primeira caixa tem a coleção Paraíso da Criança, da Edelbra - que sobrinha adora. São contos de fadas e do folclore brasileiro ilustrados com fotos de bonecos e cenários construídos a mão, um capricho só. Tem também alguns livros de tecido e borracha, com elementos destacáveis, daqueles que os adultos deixem arrastar e puxar pra todo lado sem dar bronca pra não rasgar ou amassar ou rabiscar com giz de cera. Ler tem que ser lúdico, senão vira tortura.

A segunda caixa é um baú, tem As Histórias Preferidas das Crianças Japonesas, A Marca de Uma Lágrima [pra ter contato indireto com os clássicoas - Cyrano de Bergerac] e A Princesa e O Cavaleiro [pra aprender a ser forte mesmo sendo feminina] para as meninas, O Escaravelho do Diabo e Lobo Solitário para os meninos, as coleções completas de Harry Potter para manter o contato com o mundo da fantasia e Discworld, para não levar tudo tão a sério; tudo de Agatha Christie, Neil Gaiman, Luís Fernando Veríssimo e Fernando Sabino. Anturdia miguxinho que não gosta de ler veio pedir ajuda pra começar a gostar. Que que eu ia fazer, tacar Machado de Assis pra cima dele? Com todo o respeito ao imortal: assim de cara não dá. Em vez disso, vai começar com Batman e X-Men. Frank Miller, Al